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Falando de Longo Prazo

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Boa noite pessoal,

Aproveitando a linha do último post de Queridinhas (que você pode ler na seção Queridinhas do nosso site), vou falar um pouco sobre o Longo Prazo, alvo de tantas críticas e ao mesmo tempo, lembrado por grandes histórias vencedoras.
 
Falar de longo prazo até parece um mistério, afinal não sabemos o que vai acontecer daqui a alguns anos. Sábia a frase de Keynes.... “No longo prazo estaremos todos mortos”.  Não vou nem entrar no mérito do que dá mais dinheiro e do que é melhor pra nao gerar confusão. Esse é o tipo de decisão que só cabe a você.             
 
Se és um trader ou se és um holder, pra mim não faz diferença. Mas pra você essa pergunta é fundamental. O que você é? Qual é o seu perfil? Isso te dá dinheiro? Ou melhor, essa escolha te dará dinheiro? Essas são questões que devem ser respondidas por você de bate-pronto, com orgulho no peito e certeza na cabeça.
 
Se você escolheu ser trader, é porque isso funciona pra você. Se escolheu ser um holder e obter retorno com o passar dos anos, é porque isso funciona também. E se não está funcionando, reveja rapidamente seus conceitos.
 
Bom, se eu fosse montar uma carteira de longo prazo HOJE, primeiro partiria dessas 4 premissas, abaixo fundamentadas:
 
1. Horizonte mínimo de investimento: 20 anos
 
Todo milionário que eu conheço na Bolsa, ou herdou ações do pai ou avô, ou investe em blue-chips, visando sempre um horizonte de investimento de, no mínimo, 10 anos.
 
Isso não quer dizer que não existam “traders” milionários. Existem, mas são raros. E o “cabra” tem que ser bom, mas muuuuuito bom. Bom a ponto de superar o Ibovespa com certa folga. Se não superou, não é bom. É mediano. E medianos existem aos montes. Mas medianos milionários, não.
 
Não existe carteira de longo prazo de 1 ano, nem de 3 anos, tampouco de 5 anos. O que dá dinheiro é o tempo (prazo), que deve ser longo. Básico, né? É o tempo e a tendência mundial (crescimento) que vai trabalhar por você. 
 
Portanto, como sou relativamente novo (tenho 26 anos), considero que 20 anos é o horizonte mínimo para obter um retorno consistente, que me trará conforto e segurança para o restante da minha vida. 
 
2. Foco em consumo interno
 
O Brasil é a bola da vez! Pode falar que o Brasil é exportador de commodities, que nossa bolsa só tem commodities. Isso tudo é meia verdade. E meia verdade é opinião de medianos.
 
Quem fala isso são os mesmos caras que dizem que as bolsas mundiais andam coladas. E aí vem o papo de todo dia no pregão: “Estamos descolados do Dow Jones”. No intraday, isso até pode ser verdade, mas em carteira de longo prazo, o papo é outro.
 
Nós sempre estamos descolados. Veja só:
De 2000 pra cá, o Ibovespa subiu 1500% e o Dow Jones subiu 55%.
 
Quem colocou R$ 100.000,00 no Ibovespa em dezembro de 1999, tem aproximadamente R$ 1.600.000,00, ao passo que quem colocou USD 100.000,00 na bolsa americana, tem hoje USD 155.000,00.

Andam coladas as bolsas? Não.
 
Mas sim, nossa bolsa tem um maior peso de commodities. Vale, Petro, Usiminas, CSN, petróleo, minério, aço, carne, etc... tem de tudo aqui.
 
E tem de tudo mesmo, inclusive algumas pérolas que só aqui você vai achar. Por exemplo, bancos. Os bancos brasileiros estão entre os bancos mais rentáveis do mundo.
 
O fato é que o boom de commodities foi de 2000 até 2009. Na época, era China, era ferro, aço, minério, era investimento em infra-estrutura porque tínhamos um gigante acordando.
 
Eles e aquela mistura de capitalismo e socialismo que ninguém entende, se tornou algo que, em breve, será algo como “um Estados Unidos multiplicado por 10”.
 
As empresas daqui iam explodir. Para vocês terem uma idéia, Gerdau (GGBR4) era uma small cap. Quem pegou esse boom, lavou a alma de ganhar dinheiro.
 
E hoje, poucas pessoas falam disso, mas temos sinais bem críveis de que o gigante está querendo parar para um “pit stop”. Está parando pra tomar um gatorade, comer um lanchinho, pra depois retomar.
 
Já se fala em inflação na China, já se fala em boom imobiliário por lá. Esses são sinais de desaceleração do motor do mundo.
 
Claro que ainda tem espaço pra commodities, mas na minha modesta opinião, as ações voltadas para o consumo interno devem performar melhor em um horizonte mais longo.
 
Enquanto a China estava acordando em 2000, hoje o Brasil é que é o gigante adormecido. Imaginem esse país com menos carga tributária, corte de gastos públicos e investimentos pesados em infra-estrutura. (hehehehe, eu sei que é difícil imaginar isso por aqui, mas acreditem, aos poucos estamos caminhando para isso.)
 
3. Reinvestimento nas carteiras correspondentes dos dividendos, juros sobre capital próprio e eventuais bônus
 
4. Investimento inicial: R$ 100.000,00
 
Por todo exposto acima, minha carteira teria 65% de peso para ações voltadas ao consumo interno e 35% para blue-chips exportadoras de commodities.
 
Vamos aos papéis. Notem que são duas carteiras distintas:
 
Carteira Brasil (Peso 65%) – R$ 65.000,00

  • Itaú (ITUB4) – 25% - R$ 16.250,00
  • Cyrela (CYRE3) ou Brookfield (BISA3) – 25% - R$ 16.250,00
  • Pão de Açúcar (PCAR5) – 20% - R$ 13.000,00
  • Marisa (MARI3) ou Lojas Renner (LREN3) – 15% - R$ 9.750,00
  • Amil Saúde (AMIL3) ou Drogasil (DROG3) – 15% - R$ 9.750,00

 Carteira Commodities (Peso 35%) – R$ 35.000,00

  • Vale do Rio Doce (VALE5) – 25% - R$ 8.750,00
  • Petrobrás (PETR4) – 25% - R$ 8.750,00
  • Gerdau (GGBR4) – 25% - R$ 8.750,00
  • Light (LIGT3) ou Cemig (CMIG4) – 25% - R$ 8.750,00

 Se alguém tiver memória, me conte como foi daqui a 20 anos.
 
Um forte abraço a todos,
Avena

 

 

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Comentários dos Alunos

Victor Carvalho
Date: Aug 11, 2010


Tenho acompanhado o morning call da Arco com frequencia e tenho gostado muito das analises do pessoal , onde eles mostram bem qual a realidade do nosso mercado no dia a dia. Vale a pena acompanhar morning call da Arco, e parabens pela iniciativa dos profissionais dessa empresa.